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02/08/2014

Israel é o relógio de Deus no mundo?


Por Thiago Oliveira

Essa expressão “relógio de Deus no mundo” é usada por muitos cristãos que vivem antenados no que acontece com o Estado Israelense. Para essas pessoas, o reaparecimento de Israel como nação e os constantes conflitos que ocorrem por aquelas bandas ganham ares escatológicos e são vistos como o cumprimento das profecias bíblicas acerca do fim dos tempos e o retorno de Cristo.

Devido as recentes notícias de conflitos entre palestinos e israelenses, choveu no Facebook campanhas de oração por Israel. Devemos apenas lembrar que do lado da Palestina estão morrendo pessoas, terroristas e não-terroristas, sendo assim, nossas orações devem se estender aos não-israelenses que também estão sendo vitimados. O direito à autodefesa é inegável, não entrarei nesse mérito. Quero apenas alertar a Igreja do Senhor, que o verdadeiro Israel de Deus deixou de ser uma nação há muito tempo. Mais precisamente há dois milênios, quando a Igreja de Cristo foi estabelecida na terra.

Não estou querendo com isso dizer que os fatos históricos são alheios a ação soberana de Deus. Obviamente acredito que a Trindade é quem faz a história, e não há nada desde a criação até o retorno de Cristo que não seja direcionado pela Divindade. Todavia questiono a clareza de algumas interpretações escatológicas. Sinceramente não acredito que certas profecias atribuídas ao futuro de Israel sejam para o Estado formado em 1948 pela ONU e com total apoio estadunidense.

Vejam como existem algumas coisas bem forçadas; li num site os supostos cumprimentos das profecias bíblicas:

PROFECIA: “Também trarei do cativeiro o meu povo Israel; e eles reedificarão as cidades assoladas, e nelas habitarão; plantarão vinhas, e beberão o seu vinho; e farão pomares, e lhes comerão o fruto. Assim os plantarei na sua terra, e não serão mais arrancados da sua terra que lhes dei, diz o senhor teu Deus.” (Amós 9.13-14).

CUMPRIMENTO: Israel é o 3º maior produtor de flores, está entre as nações com o maior IDH do planeta e supera até os EUA no Índice de Esperança de Vida (alguém sabe que índice é esse?).

PROFECIA: “E vos tomarei dentre as nações, e vos congregarei de todas as terras, e vos trarei para a vossa terra.” (Ezequiel 36.24).

CUMPRIMENTO: Após 19 séculos, com a criação do moderno Estado de Israel, milhares de judeus dispersos pelo mundo, saíram de 120 nações para formar o seu país e assim cumprir o que está escrito na Bíblia.

Ambos os profetas falam de coisas que na época eram futurísticas, todavia para nós são acontecimentos presentes nos anais da História. Amós profetizou antes do Cativeiro Babilônico, quando Nabucodonozor destruiu Jerusalém, profanou e saqueou o Templo e levou cativo milhares de milhares de judeus. Ezequiel foi profeta contemporâneo ao exílio. O cativeiro mencionado é o da Babilônia, e o regresso do cativeiro foi cumprido pela geração de Esdras e Neemias. Deus usou os Persas - principalmente Ciro - para punir os babilônicos e remir os israelitas.

Ler estes autores com as lentes da escatologia moderna é cair num erro primário de quem desconhece a história daqueles que outrora foram chamados para serem luzeiros entre as nações, o povo que foi o receptor da Revelação Específica que culminou no ministério de Jesus Cristo. Por isso muito cuidado ao afirmarmos determinadas coisas, pois, estaremos dizendo aquilo que o Senhor nunca disse, acrescentando algo a Palavra. Deslize gravíssimo!

As questões belicosas entre Israel e a Faixa de Gaza envolvem interesses políticos e econômicos que estão aquém das promessas bíblicas. Mas daí você pergunta: Deus prometeu que aquela terra seria dos israelitas ou não prometeu? Sim, prometeu. Contudo não devemos esquecer que a promessa está inserida num contexto aliancista (Ex 19:5). Israel descumpriu a sua parte e por isso não tem que reclamar coisa alguma. Cristo, em certa ocasião, afirmou:

“Portanto, eu vos digo que o reino de Deus vos será tirado, e será dado a uma nação que dê os seus frutos”. Mateus 21:43

E esta nação não é daqui. É a nação de forasteiros composta por cidadãos do Céu. As bênçãos que eram de Israel agora estão em posse da Igreja. E porquê? Porque os israelenses negaram o Messias. Essa negação fez com que pessoas de outros povos se juntassem a mesa com Abraão, Isaque e Jacó (Mt 8:11-12). Somos seus descendentes não por consanguinidade, mas sim mediante a Fé. Não basta descender de Abraão, tem que produzir frutos de arrependimento (Lc 3:8), e estes frutos foram produzidos por todos aqueles que receberam a Cristo como seu Senhor e Salvador, mediante a atuação do Espírito Santo, que é o que convence o homem de seus pecados (Jo 16:8).

Aconselho que diante de tudo o que esteja acontecendo no Oriente Médio, possamos ler os fatos com o olhar de misericórdia do Senhor. No momento em que escrevia esse texto, havia 120 mortes do lado da Palestina e 0 mortes do lado de Israel. E o mais triste nisso é que muitas crianças inocentes estão sendo assassinadas. O relógio de Deus no mundo é a Igreja, e esta ao cumprir o Ide coopera para a volta de Jesus (Mt 24:14). Há “filhos de Abraão” também entre os árabes. É necessário pregar para que o Espírito desperte os eleitos. Atentemos mais para a nossa missão e continuemos a orar por Israel, pela Palestina e pelo mundo inteiro. E que Deus tenha piedade do seu povo (a Igreja).

Soli Deo Gloria.

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Divulgação: Bereianos


26/07/2014

“Mensageiros palestinos”: Como Cristo e os cristãos são usados para promover a causa palestina

 

Julio Severo


No Natal passado, o presidente palestino Mahmoud Abbas disse que Jesus era um mensageiro “palestino.”
Muito embora Jesus nunca tivesse sido palestino ou defensor de uma causa palestina, Abbas e seus colegas muçulmanos querem usá-Lo para “ecumenicamente” unificar cristãos e muçulmanos para garantir sua causa.
Cristo nunca foi um mensageiro palestino, mas há muitos indivíduos e grupos cristãos se associando com uma mensagem palestina. Conscientemente ou não, eles têm sido usados como mensageiros palestinos.

CMI e Teologia da Libertação

A organização mais notória é o Conselho Mundial de Igrejas (CMI), que apoia a Teologia da Liberação, que “retrata Israel como o opressor colonial e os palestinos como as vítimas do imperialismo.” Seu encontro ecumênico no Brasil em 2006 “ecumenicamente” reuniu ativistas gays, palestinos e mães-de-santo.
Reunião ecumênica do CMI em 2006: mães-de-santo e ativistas gays juntos
O Rev. Walter Altmann, moderador do Comitê Central do CMI, é um exemplo do radicalismo do CMI. Ele disse: “Tenho um interesse especial em unir a teologia da Reforma à teologia da libertação.”
Rev. Walter Altmann no Conselho Mundial de Igrejas
Altmann, que é brasileiro, é ex-presidente da Igreja Evangélica de Confissão Luterana no Brasil, o maior sínodo luterano no Brasil (700.000 membros). Ainda que significativos, seus números empalidecem em comparação com outros grupos no universo evangélico brasileiro. De acordo com o “The New International Dictionary of Pentecostal and Charismatic Movements: Revised and Expanded Edition” (Novo Dicionário Internacional de Movimentos Pentecostais e Carismáticos, Zondervan 2010), pentecostais e neopentecostais somam mais de 45 milhões de membros no Brasil.
Reunião ecumênica do CMI em 2006: bandeiras da Palestina
A Igreja Luterana de Altmann é majoritariamente ecumênica, pró-Palestina, anti-Israel e esquerdista. Em 2006, seu seminário mais proeminente teve Luiz Mott, o pai do movimento homossexual brasileiro, como um dos principais preletores. Em total contraste, as igrejas pentecostais e neopentecostais do Brasil, firmemente pró-Israel e geralmente antiecumênicas, têm estado em risco de serem contaminadas pela influência teológica de denominações protestantes que promovem a Teologia da Libertação, conforme expõe meu e-book “Teologia da Libertação X Teologia da Prosperidade,” disponível gratuitamente aqui: http://bit.ly/11zFSqq
Luiz Mott na EST, a maior faculdade teológica da IECLB
Numa entrevista do CMI, Altmann comentou “o crescimento das igrejas pentecostais” e lamentou que “muitas dessas novas igrejas rejeitam o ecumenismo e fazem campanhas contra iniciativas ecumênicas.” O ecumenismo, que anda de mãos dadas com a causa palestina, tem sido apoiado pela Esquerda política e teológica. O CMI e seu ecumenismo têm dependido principalmente do dinheiro das decadentes denominações protestantes tradicionais esquerdistas da América do Norte e Europa Ocidental.
Altmann celebrou que a Teologia da Libertação fortemente influenciou o movimento ecumênico e o CMI durante as décadas de 1970 e 1980.
No Brasil, o pentecostalismo e o catolicismo romano ortodoxo são hostis à Teologia da Libertação, ao ecumenismo e à causa palestina. Em contraste, as velhas denominações protestantes grandes, como a Igreja Evangélica de Confissão Luterana, que era presidida pelo Rev. Altmann, abraçam a Teologia da Libertação, o ativismo palestino e envolvimentos políticos esquerdistas.
Quando o ditador cubano Fidel Castro aclamou Jesus como um “grande revolucionário social” para Altmann em 1999, o pastor luterano, que teve vários jantares com Castro, não viu problema. Por que, então, o CMI veria algum problema com Abbas dizendo que Jesus era um “mensageiro palestino”?
Sob o ecumenismo, é muito fácil aceitar Jesus como um “grande revolucionário social” ou “mensageiro palestino.”

Colégio Bíblico de Belém e “Christ at the CheckPoint”

Sob o ecumenismo, iniciativas entre cristãos e muçulmanos têm sido desenvolvidas pelo Conselho Mundial de Igrejas, o Vaticano e a Aliança Evangélica Mundial (AEM), conforme informa o boletim “WEA Theological News” (Notícias Teológicas da AEM), de outubro de 2012, volume 41, número 4. Algumas dessas iniciativas envolvem protestantes palestinos adeptos da Teologia da Libertação Palestina.
 
 
Sob o título “Promovendo a Verdade Bíblica Interligando Teólogos,” o “WEA Theological News” destaca o Colégio Bíblico de Belém e seu fundador e presidente, Bishara Awad, numa luz muito positiva, para propósitos de propaganda.
O Colégio Bíblico de Belém realiza as conferências “Christ at the CheckPoint” (Cristo no Posto de Controle), em parte para avançar as relações entre cristãos e muçulmanos. Muitos de seus palestrantes são proeminentes líderes protestantes esquerdistas e prelados palestinos adeptos da Teologia da Libertação Palestina.
Em seu artigo “Refutando o evangelismo anti-Israel,” Mark Tooley escreve:
“Em anos recentes, evangélicos anti-Israel têm realizado uma conferência chamada ‘Christ at the Checkpoint’ (Cristo no Posto de Controle) em Belém apresentando alguns proeminentes evangélicos dos EUA. A conferência do ano passado incluiu o evangelista Tony Campolo, conselheiro espiritual do presidente Bill Clinton, e Joel Hunter, pastor de uma mega-igreja na Flórida e conselheiro espiritual do presidente Barack Obama. A próxima conferência “Christ at the Checkpoint” apresentará Geoff Tunnicliffe, presidente da Aliança Evangélica Mundial. Haverá também um pastor de Dallas, dos batistas do Sul dos EUA, apesar de que sua denominação apoia fortemente Israel. Outro palestrante será Gary Burge da Faculdade Wheaton, um proeminente escritor que sempre critica Israel. Burge é professor numa das mais prestigiosas faculdades evangélicas dos EUA. O sentimento anti-Israel entre as elites evangélicas é mais forte nos meios acadêmicos e em organizações de assistência e missões.”
Bishara Awad, fundador do Colégio Bíblico de Belém
O escritor britânico Paul Wilkinson, que compareceu a essa conferência como observador, comentou:
“Esse movimento tem desenvolvido um ritmo surpreendente e assustador em anos recentes. Estive em Belém em março de 2012, numa conferência evangélica chamada Conferência ‘Christ at the Checkpoint.’ Mais de 700 evangélicos, todos os nomes que já mencionei, Gary Burge e Stephen Sizer estavam ali; estava também Joel Hunter, que é um dos conselheiros espirituais de Barack Obama; Tony Campolo, o presidente da Aliança Evangélica Mundial estava ali, o presidente do Movimento Lausanne estava ali, todos dando apoio aos palestinos, todos condenando a ocupação israelense.”
Outro líder da Aliança Evangélica Mundial envolvido na Conferência “Christ at the Checkpoint” é Thomas Schirrmacher, que foi palestrante nessa conferência em 2012. Schirrmacher rejeita a acusação de que “Christ at the Checkpoint” é anti-Israel. Em vez disso, ele argumenta, é sobre “reconciliação.”

Judeus messiânicos rejeitam “Christ at the Checkpoint”

A opinião dele está muito distante da opinião oficial de judeus conservadores. Líderes da Aliança de Judeus Messiânicos dos EUA, da União de Congregações de Judeus Messiânicos, da Aliança Internacional de Judeus Messiânicos e da Aliança Internacional de Congregações e Sinagogas Messiânicas, representando o principal movimento de judeus messiânicos, divulgaram uma declaração conjunta antes da conferência “Christ at the Checkpoint” de 2012. Eles declararam o seguinte: “A conferência afirma buscar paz e reconciliação, mas reflete interpretações bíblicas que negam a validade permanente das alianças de Deus com o povo judeu… Reconhecemos e estamos profundamente preocupados com a luta dos cristãos palestinos. Nossa objeção é a uma conferência que é explicitamente pró-Palestina e anti-Israel, a qual busca se promover como uma conferência sobre paz e reconciliação.”
A declaração deles também disse:
“As congregações mundiais de judeus messiânicos, assumindo o lugar de nossos antepassados Abraão, Isaque, Jacó e os profetas e apóstolos que escreveram as Escrituras, veem o moderno ressurgimento da teologia da substituição como um grave erro teológico, que tem incitado o antissemitismo em toda a história. Essa teologia precisa ser desmascarada e rejeitada pelos cristãos no mundo inteiro. Se não for contestada, essa teologia acabará trazendo como consequência o constante sofrimento e perseguição de nosso povo judeu, quer dentro ou fora de Israel. Qualquer iniciativa de paz e reconciliação entre judeus e gentios, mesmo dentro da comunidade que crê em Yeshua, precisa reconhecer que os dons e o chamado de Deus para nosso povo judeu são irrevogáveis e ainda em vigor hoje.”

Stephen Sizer: igrejas que apoiam Israel são “abominação”

Muito embora Schirrmacher escolhesse não dar atenção a esses judeus conservadores, havia outros sinais de perigo. O jornal Jerusalem Post noticiou: “Entre os palestrantes está o pastor britânico Rev. Stephen Sizer, que tem falado duramente contra Israel e teve um encontro com o xeique Nabil, comandante militar do [grupo terrorista anti-Israel] Hezbollah.” Sizer não está sozinho na defesa da causa da teologia da libertação palestina em todo o mundo muçulmano. Dois de seus amigos e colegas mais íntimos dentro do movimento ecumênico anti-Israel são Gary Burge e Donald Wagner, um dos quais foi também palestrante na Conferência “Christ at the CheckPoint.” Burge e Wagner são pastores ordenados dentro da Igreja Presbiteriana dos EUA (PCUSA), a maior denominação presbiteriana pró-aborto e pró-homossexualismo do mundo. Essa denominação tem pedido boicotes contra Israel e tem sido muito ativa no Diálogo Ecumênico entre Cristãos e Muçulmanos.
Yasser Arafat e Stephen Sizer
Em seu blog pessoal, Sizer assinou e publicou um documento intitulado “Declaração Conjunta de Líderes Cristãos sobre o Aniversário de 60 Anos de Israel.” A declaração denuncia a situação dos palestinos, então apela para um tipo de reconciliação:
“Vamos nos empenhar em palavra profética e ações práticas num acordo corajoso cujos detalhes honrarão o amor comum de ambos os povos pela terra, e protegerão os direitos individuais e coletivos dos judeus e palestinos na Terra Santa.”
A suprema e original Declaração sobre Israel, a Bíblia, não estabelece nenhuma norma para posse conjunta da Terra Santa por judeus e romanos, judeus e cananeus, judeus e palestinos, etc. Tal posse conjunta viola a única e original intenção do Criador de Israel. Pelo contrário, Suas promessas para Israel em toda a Bíblia, até mesmo no Novo Testamento, não têm nenhum espaço para um empreendimento conjunto entre judeus e muçulmanos árabes palestinos ou cristãos da Teologia da Libertação.
Mesmo assim, a Declaração de Sizer foi assinada por muitos calvinistas e outros protestantes tradicionais, inclusive Geoff Tunnicliffe, secretário-geral da Aliança Evangélica Mundial. Ainda que a Declaração e Sizer pareçam defender iniciativas de “reconciliação,” há outras motivações. O Projeto Rosh Pina disse, “Se você é um judeu messiânico ou cristão árabe israelense que apoia o governo de Israel, que é inerentemente sionista por sua própria história e natureza,” Sizer diz:
“Há certamente igrejas em Israel e na Palestina que ficam do lado da ocupação [israelense], que ficam do lado do sionismo. Uma de minhas obrigações é contestá-las teologicamente e mostrar que elas repudiaram Jesus, elas repudiaram a Bíblia, e elas são uma abominação.”
De acordo como o Projeto Rosh Pina, num debate via telefone em novembro de 2013 entre o especialista acadêmico Michael Brown, que é judeu messiânico e líder pentecostal nos EUA, e Stephen Sizer realizado pela Rádio Moody perguntando se o sionismo cristão é cristão, Brown aos 50:20 minutos desafia Sizer acerca da afirmação dele de que os seguidores judeus e árabes de Jesus que apoiam seu país, Israel, são uma abominação. Inicialmente Sizer negou na maior cara-de-pau que tivesse chegado a dizer isso. Brown apresentou a citação que o Projeto Rosh Pina revelou com exclusividade em 2011, Sizer reconheceu o que disse, mas acrescentou que estava “à vontade” com o fato de que essa era uma declaração verdadeira.
Será que Thomas Schirrmacher está “à vontade” com essa gangue de esquerdistas? Schirrmacher é um calvinista e diretor do Seminário Teológico Martin Bucer na Europa. Entretanto, só porque Burge e Wagner são também calvinistas, será que ele deveria fechar os olhos para estar com eles como palestrante numa evento palestino dominado por adeptos da Teologia da Libertação Palestina?

Walid Shoebat, palestino ex-membro da Irmandade Muçulmana

O cristão palestino Walid Shoebat, num artigo no WorldNetDaily intitulado “Evangélicos pró-Hamas!,” também denunciou “Christ at the CheckPoint,” cujo lema é “resistência à ocupação sionista israelense.” Ele denunciou especificamente o relacionamento dessa conferência com o Hamas. De acordo com a entidade International Christian Concern (ICC), “O Hamas, em associação com a Irmandade Muçulmana, está controlando a Faixa de Gaza pela força das armas, e está reprimindo energicamente os cristãos e restringindo sua liberdade de culto. Está também tentando forçá-los a abandonar o Cristianismo e convertê-los ao islamismo.” O ICC também explica que “há ataques constantes contra igrejas e cristãos na Faixa de Gaza porque o Hamas considera os cristãos como ‘infiéis.’”
 
De acordo com Shoebat, um ex-membro da Irmandade Muçulmana:
“O número dos cristão está diminuindo nas áreas controladas pelos palestinos. Belém era 80 por cento cristã e hoje é menos de 1 por cento. No entanto, culpam Israel, ainda que a diminuição não tenha afetado os muçulmanos, enquanto a população cristã em Israel não tem diminuído um único ponto de percentagem. A emigração cristã é consequência da perseguição realizada pelo Hamas islâmico e pela Autoridade Palestina que começaram seu programa de intimidação e apropriação de terras à força, inclusive centros cristãos que foram transformados em sede de terroristas e criminosos. Em Gaza, a única livraria cristã foi fechada e seu dono, Rami Ayyad, foi morto com um tiro na cabeça por um fanático do Hamas. A terra natal de Cristo, o Túmulo de José e o túmulo de Josué foram todos profanados por terroristas muçulmanos.”
Os cristãos e até os muçulmanos em Israel não estão imigrando para a “Palestina.” Mas, se lhes fosse oferecida a oportunidade, os cristãos (e até os muçulmanos) nas terras ocupadas pela Autoridade Palestina imigrariam para Israel.
Shoebat diz:
“Historica e biblicamente, nunca existiu uma civilização ou cultura palestina. Contudo, esse é o coração da doutrina do Colégio Bíblico de Belém. O palestinianismo, inclusive a versão torcida de Cristianismo que ele incorpora, foi planejado para erradicar a presença judaica e nada mais. Essa teologia apoia um solução de estado dividido para Israel e até apoia o reconhecimento da organização terrorista Hamas como ‘representante legítimo do povo palestino.’ O Hamas é um grupo terrorista que busca a destruição de Israel. De acordo com o governo dos Estados Unidos, o Hamas é considerado um grupo terrorista.”
Shoebat também explica o que os estudantes aprendem no Colégio Bíblico de Belém, fundado por Bishara Awad:
“Então, como é que os Awads veem o sionismo? Yousef Ijha, que recebeu seu diploma do Colégio Bíblico de Belém (Awad e Ijha podem ser vistos [aqui]), apresentou sua tese de doutorado intitulada Estudo sobre o Sionismo Cristão que foi aceita para sua graduação. Ele escreveu em sua tese: ‘Herzl estabeleceu o primeiro Congresso Sionista em 1897, e teve êxito em ajuntar os judeus do mundo ao redor de si, inclusive os judeus mais astutos, para empreender o plano mais perigoso da história do mundo, Os Protocolos dos Sábios de Sião, produzido a partir dos ensinos sagrados dos judeus.’ Tudo isso enquanto ignorando que Os Protocolos dos Sábios de Sião é um documento fraudulento.”
Não só fraudulento, mas provavelmente a principal ferramenta usada pela KGB para espalhar ódio anti-Israel em nações muçulmanas. De acordo com o jornal britânico Daily Mail:
“O livro dos Os Protocolos dos Sábios de Sião, afirma Pacepa, se tornou ‘a base para boa parte da filosofia antissemítica de Hitler.’ A KGB, escreve ele, disseminou ‘milhares de exemplares’ em países muçulmanos durante a década de 1970.”

“Christ at the CheckPoint” e sua propaganda contra o muro de Israel

Obviamente, sua disseminação não foi planejada para trazer “reconciliação” entre Israel e os palestinos. Então por que o Colégio Bíblico de Belém jamais repudiou isso? Aliás, por que o Colégio Bíblico de Belém retrata o Muro Israelense, até mesmo em sua propaganda de “Christ at the CheckPoint,” como um “muro de apartheid”?
 
Um relatório do Instituto Gatestone demole a propaganda falsa dizendo:
“Em 2005, uma jovem palestina chamada Wafa al-Biss sofreu queimaduras horríveis num incêndio doméstico, foi levada ao Hospital Soroka em Israel e tratada durante meses ali. Quando recebeu alta, ela teve permissão de retornar como paciente. Algum tempo depois, ela foi ao hospital vestindo um cinto cheio de explosivos com o objetivo de explodir tudo entre os médicos e enfermeiras que a tinham tratado, assim como muitas crianças que ela pudesse encontrar. Ela foi pega num posto de controle e presa. No começo deste ano, [sob pressão dos EUA] ela foi liberta como parte de um acordo de libertação de prisioneiros. Depois de algumas horas, ela já estava falando com crianças palestinas, incentivando-as a vestir explosivos e matar tantos judeus quanto fosse possível. E algumas pessoas ficam imaginando por que os israelenses precisam de uma barreira de segurança.”
O relatório do Instituto Gatestone também diz:
“É mentira dizer que Israel é um estado de apartheid e que o muro é um muro de apartheid. É uma barreira de segurança, exatamente como dezenas de outras no mundo inteiro, nenhuma das quais jamais foi chamada de ‘muro de apartheid.’”
Entretanto, o Colégio Bíblico de Belém e seu fundador, Bishara Awad, insistem em retratar os postos de controle israelenses, não os palestinos muçulmanos radicais, como o problema real.

Thomas Schirrmacher e confusão no Brasil

Se Thomas Schirrmacher acredita que a “reconciliação” é um componente principal das conferências “Christ at the CheckPoint,” e seus esforços para derrubar o muro de Israel, como é que ele conseguirá contestar as orientações liberais, marxistas e anti-Israel no movimento ecumênico? Como é que ele conseguirá ver sentimentos anti-Israel em Burge e Wagner, que eram seus camaradas e palestrantes em “Christ at the CheckPoint”?
Seu site pessoal tem uma página ecumênica exclusiva e tem também uma página dedicada a “Christ at the CheckPoint,” e Paul Wilkinson, em seu livreto “The Church at Christ’s CheckPoint” (A Igreja no Posto de Controle de Cristo), desmascara a agenda real por trás dessa conferência. Ele cita Schirrmacher dizendo:
“A AEM [Aliança Evangélica Mundial] está ‘disposta a tudo,’ inclusive cooperar com a Autoridade Palestina.”
Schirrmacher tem agenda marcada como palestrante principal no primeiro Congresso Internacional sobre Liberdades Civis Fundamentais no Brasil. O congresso será realizado em março pela ANAJURE. O que ele trará à ANAJURE? Mais de suas experiências ecumênicas? Essas experiências incluirão iniciativas de “reconciliação”?
A ANAJURE já tem problemas suficientes. Aliás, o teste mais importante para a ANAJURE, fundada em 2012, e seu interesse de defender as liberdades civis fundamentais foi quando o deputado federal Marco Feliciano, que é também pastor pentecostal oposto ao aborto e à agenda gay, foi brutalmente atacado pela poderosa Esquerda brasileira porque ele havia sido nomeado para presidir a Comissão de Direitos Humanos da Câmara dos Deputados em março de 2013. Num comunicado à imprensa, o presidente da ANAJURE não o defendeu, mas questionou sua nomeação e motivações pessoais. Numa entrevista exclusiva, o Dep. Feliciano explicou que foi traído pela ANAJURE.
A ANAJURE já tem problemas suficientes. Seu evento com Schirrmacher vem sendo propagandeado pela Ultimato, uma velha revista da Teologia da Libertação protestante fundada por presbiterianos. Suas posturas sobre Israel são semelhantes às opiniões de Sizer, focando na “reconciliação.”
Como então as opiniões de “reconciliação” de Schirrmacher ajudariam a ANAJURE e o Brasil? Como suas experiências ecumênicas pró-palestinos-árabes-muçulmanos ajudariam a ANAJURE e o Brasil?
O Brasil já está cansado do sentimento pró-palestinos-árabes-muçulmanos e anti-Israel em seu governo socialista e muitos de seus líderes protestantes, inclusive Walter Altmann.
Espero que a participação de Schirrmacher num congresso da ANAJURE não mine a importante resistência pentecostal à abertura dos protestantes esquerdistas à Teologia da Libertação, inclusive sua versão árabe palestina, e ao sentimento anti-Israel, alegadamente no nome da “reconciliação.”
Schirrmacher tem estado envolvido em campanhas ecumênicas de alto nível entre cristãos e muçulmanos juntamente com o Vaticano e o Conselho Mundial de Igrejas. Aliás, ele tem sido um palestrante em eventos do CMI.
Sob a bandeira do ecumenismo, é muito fácil abraçar a teologia da substituição, que diz que Israel foi substituído pela Igreja e todas as promessas de Deus para os descendentes de Abraão, Isaque e Jacó são agora inválidas para Israel. Alguns teólogos de alta patente na ANAJURE apoiam essa posição. Esses teólogos são da Universidade Presbiteriana Mackenzie. Aliás, o principal patrocinador do evento da ANAJURE é o Mackenzie.
As grandes denominações protestantes e seus membros são as principais vítimas do ecumenismo e suas apostasias. Em 2008, a secretária de Estado dos EUA Condoleezza Rice, a famosa filha de um pastor presbiteriano americano, visitou o Brasil. Suas políticas palestino-israelenses eram guiadas por sua teologia da substituição calvinista. Ela veio ao Brasil para fortalecer as raízes das religiões afro-brasileiras, que são consideradas “feitiçaria” pela Bíblia.
Mãe-de-santo e Condoleezza Rice
Não há contradição para a calvinista Rice e outros protestantes liberais fortalecerem a bruxaria, o ativismo gay e a Palestina e, ao mesmo tempo, enfraquecerem Israel. O CMI é apenas um exemplo de tal apostasia.

O ecumenismo ajuda a causa palestina

O ecumenismo tem sido um estimulante para a causa palestina. A Igreja Luterana de Altmann e outras grandes denominações protestantes desempenharam um papel importante no “Fórum Social Mundial — Palestina Livre” em 2012. Esse evento, realizado no Brasil, foi o maior evento socialista pró-Palestina do mundo.
Adeptos da Teologia da Libertação Palestina e protestantes e católicos da Teologia da Libertação da América Latina se reuniram, em sua comum fé esquerdista, para defender sua comum causa palestina.
Em maio de 2013, Bishara Awad, o ativista palestino por trás de “Christ at the CheckPoint,” visitou o Brasil e algumas de suas igrejas. Ele foi o palestrante principal em Portas Abertas e numa grande conferência de pastores, sob a capa de “reconciliação.”
O governo socialista do Brasil vê as pretensões socialistas e palestinas como legítimas, inclusive qualquer referência a Jesus como um “grande revolucionário social” ou “mensageiro palestino.” O “Fórum Social Mundial — Palestina Livre” tinha a mesma visão. É claro que Awad e seus colegas no “Christ at the CheckPoint” estariam de pleno acordo também. Quanto a Schirrmacher, ele vê apenas “reconciliação” em tudo isso?
Com exceção de Altmann e seus camaradas protestantes (que se tornaram mensageiros socialistas e palestinos), os evangélicos brasileiros, que são majoritariamente pentecostais e neopentecostais, têm resistido às iniciativas ecumênicas de se alinharem à visão política socialista e a visão da Teologia da Libertação de Jesus como sendo um “grande revolucionário social” ou “mensageiro palestino.”
 
Sou grato a três artigos do Dr. Mark Tooley como fontes para meu artigo. Agradeço também a Paul Wilkinson, James Sundquist, Don Hank, Ingo Haake e a Walid Shoebat pela documentação que cada um deles me enviou.