19 de mar de 2016

A interpretação literal é mais apropriada


 
Ron Rhodes

No início dos anos 80, trabalhei em um serviço de correspondência cristão, juntamente com mais algumas dezenas de estudantes do Seminário de Dallas. Nós entregávamos certos tipos de documentos na área de Dallas e de Fort Worth.

Para esse serviço, foi necessário aprender a utilizar um guia de ruas. Com o auxílio do índice, no final do guia, ficava fácil e rápido encontrar a página certa e até o segmento da página onde se podia identificar a rua procurada. Constantemente éramos alertados: “Enquanto utilizássemos corretamente o guia de ruas não haveria erros para encontrar os endereços pretendidos”. Toda vez que ocorria um engano na busca de algum endereço, a razão era a de não ter procurado a orientação no guia com a devida atenção.

Com a Bíblia ocorre algo semelhante. Enquanto a lermos com a devida atenção, isto é, enquanto fizermos a interpretação adequada dos seus ensinamentos, não corremos o risco de nos perdermos em suas páginas ou de cometermos enganos. Então compreenderemos a Bíblia da maneira como Deus pretendia que fosse.

Gostaria de falar brevemente sobre o modo correto de ler a Bíblia. Se o fizermos dessa maneira, teremos condições de entender as revelações que Deus fez, através da Profecia Bíblica, também de modo correto – principalmente no que diz respeito à cronologia profética. Por outro lado, teremos melhores condições de verificar o quanto as interpretações proféticas da Teologia da Substituição[a] e do Preterismo[b] são falhas.


[a] A Teologia da Substituição afirma basicamente que a Igreja substituiu Israel no plano de Deus e que as promessas feitas para Israel serão cumpridas pela Igreja.
[b] A palavra “Preterismo” é derivada do termo preter, em Latim e significa “passado”. De acordo com essa perspectiva, as profecias do livro de Apocalipse (principalmente dos capítulos 6-18) e do Sermão do Monte das Oliveiras, proferido por Jesus (Mateus 24-25), já foram cumpridas.

Iniciaremos com a aplicação da interpretação literal nas Escrituras. O termo “literal”, utilizado na Hermenêutica (a ciência da interpretação bíblica) tem origem no Latim – sensus literalis – e pretende descobrir o sentido literal do texto, ao contrário de um sentido não literal ou alegórico. Trata-se de procurar a compreensão que uma pessoa com inteligência normal teria ao ler um texto, sem a aplicação de chaves ou códigos especiais.
A interpretação literal das Escrituras também pode ser definida como o entendimento dos conceitos com base na vida diária normal. As palavras recebem o mesmo significado que possuem numa comunicação usual. Trata-se de interpretar uma passagem bíblica da maneira normal ou óbvia. No entanto, é necessário mencionar algumas limitações.

O método literal não exclui expressões idiomáticas ou figuras de retórica

Quando a Bíblia menciona os olhos, os braços ou as asas de Deus (Sl 34.15; Is 51.9; Sl 91.4), isso não deveria ser interpretado literalmente. Deus não possui características físicas – Ele é Espírito (Jo 4.24). Da mesma maneira, é impossível que Ele seja literalmente uma rocha material (Sl 42.9). De qualquer modo, nós não saberemos, nesse aspecto literal, aquilo que Deus não é, enquanto não tivermos conhecimento daquilo que Ele literalmente é.

Por exemplo, se não fosse literalmente verdade que Deus é Espírito e Eterno, não poderíamos afirmar que certas referências feitas a Deus em outras passagens da Bíblia não podem interpretadas literalmente, como, por exemplo, uma forma material ou finita. A afirmação de Jesus, em João 15.1: “Eu sou a videira verdadeira...” não é considerada como uma verdade física pelo método de interpretação literal. Muito antes, ela é entendida como uma figura de retórica – ela significa que os crentes recebem sua vida espiritual de Jesus, nossa “videira espiritual”. É importante que tenhamos a compreensão disso, pois a literatura profética e apocalíptica, como Daniel e o livro do Apocalipse, fazem uso frequente de expressões idiomáticas e de figuras retóricas.

Às vezes não é fácil descobrir se uma passagem deve ser compreendida literalmente, ou não. No entanto, existem algumas diretrizes que podem nos auxiliar nesse sentido. Resumindo: um texto pode ser interpretado figurativamente...
  • quando ele obviamente tem o sentido figurado, por exemplo, quando Jesus afirmou que Ele é a porta (Jo 10.9);
  • quando o próprio texto indica um sentido figurativo, por exemplo, quando Paulo mostra o sentido alegórico de um texto (Gl 4.24);
  • quando uma interpretação literal for contrária a outras verdades descritas na Bíblia, ou mesmo fora dela, por exemplo, quando ela fala dos “quatro cantos da terra” (Ap 7.1).
Trazendo tudo a um denominador comum: “Quando o sentido literal faz sentido, não procure por outro sentido, a não ser que o resultado seja um absurdo”.

O método literal não exclui o emprego de símbolos

A Bíblia está repleta de símbolos. No entanto, cada símbolo consta figurativamente em relação a algo literal.
Por exemplo, no livro do Apocalipse aparecem muitos símbolos que representam literalmente coisas concretas. Jesus explicou que as sete estrelas em Sua mão direita representam “os anjos [mensageiros] das sete igrejas” (Ap 1.20) e que os sete candeeiros representam as sete igrejas (Ap 1.20). As taças de incenso representam as orações dos santos (Ap 5.8) e as “águas” simbolizam “povos, multidões, nações e línguas” (Ap 17.1,15). Assim, cada símbolo consta em relação a algo que realmente existe. Muitas vezes há indicações no texto que nos conduzem à intepretação literal oculta nos símbolos – tanto no contexto imediato ou mesmo distante em outra passagem da Escritura.

O método literal não exclui a aplicação de parábolas

Jesus apresentou parábolas que não tinham interpretação literal. No entanto, cada parábola expressa algum objeto literalmente.
Jesus pretendia que as parábolas fossem entendidas pelas pessoas que estivessem dispostas para isso. Ele até explicou duas delas aos Seus discípulos – a Parábola do Semeador (Mt 13.3-9) e a Parábola do Trigo e do Joio (Mt 13.24-30). O Senhor o fez, não somente para dirimir qualquer dúvida sobre a interpretação correta, como também para mostrar aos crentes como as outras parábolas devem ser interpretadas. Jesus não interpretou as demais parábolas, certamente indicando que Ele considerava os crentes capacitados a seguir o Seu método e a compreender o significado literal das mesmas.

Seis razões para empregar o método literal

Existem pelo menos seis bons motivos que favorecem a abordagem literal das Escrituras (incluindo as profecias).
  1. Trata-se do modo normal como cada idioma é entendido.
  2. A maior parte da Bíblia adquire um sentido quando ela é interpretada literalmente.
  3. Esse método permite que haja um sentido secundário (alegórico) quando o contexto assim requer.
  4. Todos os significados secundários (alegóricos), no entanto, são dependentes do significado literal. Não seria possível identificar o que textualmente se refere a Deus enquanto não soubermos o que é literalmente verdade.
  5. Trata-se do único controle sensato e seguro para nossas suposições subjetivas.
  6. É a única abordagem que coincide com a essência da inspiração (do conceito de que as palavras das Escrituras foram geradas pelo “sopro de Deus”).

A confirmação bíblica para o método literal

O próprio texto bíblico fornece numerosas comprovações para o método literal de interpretação. Assim, textos bíblicos mais recentes permitem a compreensão literal de textos mais antigos, como, por exemplo, o relato da Criação, em Gênesis 1-2 (ver Êx 20.10-11). O mesmo ocorre com o relato da criação de Adão e Eva (Mt 19.4-6; 1Tm 2.13); o pecado de Adão e, em consequência, a sua morte (Rm 5.12,14); Noé e o Dilúvio (Mt 24.38) e os relatos sobre Jonas (Mt 12.39-41), Moisés (1Co 10.2-4,11) além dos vários personagens históricos.
Além disso, em Sua primeira vinda, Jesus cumpriu mais de cem profecias. Assim, por exemplo, havia as promessas de que Ele seria:
  • o descendente de uma mulher (Gn 3.15);
  • oriundo da linhagem de Sete (Gn 4.25);
  • descendente de Sem (Gn 9.26);
  • descendente de Abraão (Gn 12.3);
  • descendente da tribo de Judá (Gn 49.10);
  • o Filho de Davi (Jr 23.5-6);
  • nasceria de uma virgem (Is 7.14);
  • nasceria em Belém (Mq 5.2);
  • anunciado como o Messias (Is 40.3);
  • o futuro Rei (Zc 9.9);
  • o sacrifício para o perdão dos nossos pecados (Is 53);
  • traspassado em Seu lado (Zc 12.10);
  • “aniquilado” – morto (Dn 9.24-26), por volta de 33 d.C.;
  • ressuscitado dentre os mortos (Sl 2 e 16).
Observe também: Jesus, ao interpretar a profecia literalmente, indicava de maneira clara que Ele concordava com o método literal de interpretação do Antigo Testamento (Lc 4.16-21).
Ao vermos a Bíblia confirmar a presença de parábolas (Mt 13.3) ou de um significado alegórico (Gl 4.24), ela demonstra que o normal é o significado literal. Além disso, quando Jesus explicava uma parábola, Ele deixava claro que uma parábola traz em si um significado literal (Mt 13.18-23).

Quando Jesus repreendeu aqueles que não consideravam a ressurreição de maneira literal, Ele indicava que a interpretação literal do Antigo Testamento era a correta (Mt 22.29-32). A maneira como Jesus aplicava as Escrituras é uma das provas mais convincentes de que a Bíblia deve ser interpretada literalmente.

O que isso significa é óbvio. Uma cronologia da Profecia, que exige dados exatos, precisa se basear na interpretação literal das profecias bíblicas, individualmente. 


FONTE:
(Ron Rhodes — Chamada.com.br)
Extraído de A Cronologia do Fim dos Tempos

12 de mar de 2016

O Preparo Para a Tribulação




Thomas Ice

Ao longo dos anos tem havido muitas argumentações contra o pré-tribulacionismo. Algumas tentativas são exegéticas, outras são teológicas, e algumas são práticas. Embora eu venha escutando este argumento prático específico (do preparo para a Tribulação) desde o início dos anos 1970, eu o ouvi apresentado com uma frequência muito maior no ano passado do que em todos os anos anteriores juntos. A questão que levantam é a seguinte: “Se o Arrebatamento pré-Tribulação não for verdadeiro, então a Igreja não estará preparada para passar pela Tribulação e muitos se perderão no tempo da perseguição por causa desse falso ensino”.

Não Estarão Preparados?

O trailer de um vídeo contra o pré-tribulacionismo pergunta:
E o que acontecerá se a Igreja não for arrebatada aos céus antes da Grande Tribulação como muitos estão ensinando? E o que acontecerá se a Igreja for deixada com preparo insuficiente para encarar o Anticristo e a marca da besta? E o que acontecerá se as afirmativas de Tim LaHaye sobre o Arrebatamento pré-Tribulação forem falsas? Então, a bendita esperança se tornará a infeliz esperança para milhões de pré-tribulacionistas? E o que acontecerá se os milhões que foram conduzidos ao erro pelo ensino pré-tribulacionista se tornarem parte da grande apostasia que Jesus advertiu que iria acontecer naquela hora?[1]
O mesmo trailer apresenta o anti-pré-tribulacionista Joel Richardson, declarando:
A questão do Arrebatamento pré-Tribulação versus o Arrebatamento pós-Tribulação é uma das questões pastorais mais importantes dos nossos dias. Se você é um pastor que neste momento não está preparando seu povo para enfrentar potencialmente o Anticristo e a Grande Tribulação, simplesmente porque sua denominação ensina isso, ou por outro motivo qualquer, acho pessoalmente que você está fracassando em seu papel como pastor.
De acordo com essa maneira de pensar, aparentemente, há algum ensinamento especial ou algum preparo especial em que os pastores devem estar engajados para que possam preparar seu povo para os rigores de enfrentar a Tribulação. Certamente, a Tribulação será como Jesus disse que seria: “Porque nesse tempo haverá grande tribulação, como desde o princípio do mundo até agora não tem havido e nem haverá jamais” (Mt 24.21). Mas, esta visão (da necessidade de preparo para a Tribulação) pressupõe, incorretamente, que o Novo Testamento não ensina o Arrebatamento da Igreja antes da Tribulação. Durante os últimos vinte e cinco anos tenho apresentado o ensino do Novo Testamento apoiando o pré-tribulacionismo. Contudo, mesmo que eu pressupusesse, para fins de argumentação, que a Igreja iria enfrentar a Tribulação, seria verdade que os pastores pré-tribulacionistas não teriam preparado seus rebanhos para suportarem aquele momento? A resposta é “não”!

Preparo Para a Perseguição

A chave para todo cristão sobre como tratar com a perseguição de qualquer tipo não é algum conhecimento especial de que tal perseguição está chegando; em vez disso, a chave depende do nível de maturidade do indivíduo que está passando pelas dificuldades. Na noite antes de ser crucificado, Jesus disse aos Seus discípulos no Cenáculo: “Se o mundo vos odeia, sabei que, primeiro do que a vós outros, me odiou a mim.?Se vós fôsseis do mundo, o mundo amaria o que era seu; como, todavia, não sois do mundo, pelo contrário, dele vos escolhi, por isso, o mundo vos odeia” (Jo 15.18-19). Todas as instruções do Discurso do Cenáculo (João 13-16) são instruções especiais finais aos Seus discípulos que logo se tornariam os fundadores, juntamente com Cristo, da nova era que chamamos de Igreja. A mensagem de Jesus foi que o mundo O odiava e também odiaria e perseguiria Seus seguidores. O versículo final do Discurso do Cenáculo foi projetado para encorajar aqueles que estavam destinados a se tornarem parte da Igreja. Disse Jesus naquele momento: “Estas coisas vos tenho dito para que tenhais paz em mim. No mundo, passais por aflições; mas tende bom ânimo; eu venci o mundo” (Jo 16.33).

O apóstolo Paulo ressoa a advertência de Jesus sobre a perseguição durante a Era da Igreja quando declara: “Ora, todos quantos querem viver piedosamente em Cristo Jesus serão perseguidos” (2Tm 3.12). Os crentes que realmente viverem a vida cristã são aqueles que sofrerão perseguição, seja a perseguição mais branda da mera rejeição social, ou a perseguição severa que leva à morte. O motivo para tal perseguição foi revelado por Cristo no Discurso do Cenáculo, quando Ele observou que o mundo O odeia e também odiará aqueles que viverem como Jesus. Esta verdade é ilustrada em todo o Livro de Atos à medida que a igreja primitiva divulgava o Evangelho por todo o mundo antigo. A perseguição é frequentemente a razão pela qual um escritor do Novo Testamento foi inspirado pelo Espírito Santo a escrever uma epístola a muitas das recém-formadas igrejas do primeiro século. O fato é que as dificuldades, as tribulações e a perseguição são coisas que vêm acontecendo desde a fundação da Igreja do Novo Testamento, quase dois mil anos atrás. Então, como os crentes da era presente devem tratar com essa questão?

Maturidade Cristã

O que tem preparado os crentes de qualquer época para tratarem com as dificuldades e a tribulação? Pode-se afirmar simplesmente que é a maturidade na fé. Os crentes que são amadurecidos na fé conseguem lidar com qualquer tipo de teste que Deus permita acontecer em suas vidas. Portanto, um pastor é responsável por alimentar seu rebanho com a Palavra de Deus, a qual capacita os crentes a suportarem as dificuldades que possam encontrar em seu caminho, seja dentro ou fora da Tribulação. Não fui capaz de encontrar, tampouco alguém foi capaz de me mostrar, passagens bíblicas especiais que tenham o objetivo de capacitar uma pessoa a passar pela Tribulação. Como disse Paulo aos anciãos de Éfeso em seu encontro de despedida: “Agora, pois, encomendo-vos ao Senhor e à palavra da sua graça, que tem poder para vos edificar e dar herança entre todos os que são santificados” (At 20.32). É o ensinamento da Palavra de Deus, sob a supervisão de Deus Pai, através do poder do Espírito Santo, que é capaz de edificar os crentes individualmente, preparando-os para suportarem qualquer que seja a circunstância.

Durante dois mil anos de história da Igreja, tem havido dezenas de milhões de crentes que já suportaram tremenda perseguição imposta a eles por aqueles que odeiam nosso Senhor e Salvador, sim, há dezenas de milhões que deram suas vidas por amor a Cristo. Como eles foram capazes de perseverar? Eles perseveraram porque eram sólidos na fé. Assim também será depois do Arrebatamento: aqueles que vierem à fé em Cristo perseverarão ao passarem por semelhantes perseguições, confiando no Senhor. Se a Igreja estiver “despreparada”, como os críticos do pré-tribulacionismo afirmam que acontecerá por causa do pré-tribulacionismo, será, na verdade, porque seus membros não cresceram adequadamente na fé.

É verdade que há muitíssimos crentes professos hoje, tanto pré-tribulacionistas quanto não pré-tribulacionistas, que não estão crescendo na fé como deveriam. Mas isto não acontece porque tenham uma determinada visão do momento do Arrebatamento. Em vez disso, é porque não amadureceram na fé como deveriam ter amadurecido. Vemos isto refletido por Paulo em sua primeira carta aos coríntios: “Eu, porém, irmãos, não vos pude falar como a espirituais, e sim como a carnais, como a crianças em Cristo.?Leite vos dei a beber, não vos dei alimento sólido; porque ainda não podíeis suportá-lo. Nem ainda agora podeis, porque ainda sois carnais. Porquanto, havendo entre vós ciúmes e contendas, não é assim que sois carnais e andais segundo o homem?” (1Co 3.1-3). Esses crentes tinham tido tempo para superar a infância espiritual e se tornarem crentes amadurecidos, mas escolheram não crescer. Existem muitos cristãos assim na igreja de hoje. O objetivo de muitíssimas igrejas hoje é aumentar em número e entreter o rebanho, não é ver os crentes amadurecerem e se tornarem adultos na fé.

Espalhando Mitos

Lembro-me de assistir, no início dos anos 1970, a Pat Robertson em seu programa de televisão chamado “O Clube 700”. Robertson sempre foi um pós-tribulacionista fervoroso e, portanto, um anti-pré-tribulacionista militante. Assisti a um programa no qual Corrie ten Boom era a convidada. Ela juntou-se a Robertson na crítica ao pré-tribulacionismo e contou sua tão frequentemente repetida história sobre como, na China, o Arrebatamento pré-Tribulação era ensinado aos crentes e, portanto, estes não estavam adequadamente preparados quando os comunistas tomaram o poder e impuseram uma severa perseguição aos cristãos. Recentemente, um pós-tribulacionista enviou-me um e-mail com a seguinte citação, supostamente de ten Boom a respeito desse assunto: “Fracassamos. Deveríamos ter feito com que o povo ficasse mais forte para a perseguição, em vez de dizer-lhe que Jesus voltaria primeiro. Digam ao povo como ser forte em tempos de perseguição, como permanecer firme quando a tribulação vier, como perseverar e não desanimar”. Ela disse em muitas ocasiões que os cristãos chineses não estavam preparados para a perseguição que lhes sobreveio em 1949, quando os comunistas tomaram o controle da China, porque eles estavam esperando ser arrebatados. Este simplesmente não é o caso!

O trabalho missionário evangélico teve início na China no começo dos anos 1800, e estima-se comumente que houvesse cerca de 750.000 crentes na China quando os missionários foram expulsos de lá no começo dos anos 1950. Nos anos 1970, quando foi restabelecido o contato da China com o mundo exterior, diz-se que havia dezenas de milhões de chineses cristãos lá. Hoje, estima-se que haja algumas centenas de milhões. Se a Igreja na China foi derrotada por causa do pré-tribulacionismo, então como é possível que o Evangelho tenha se espalhado e se multiplicado tão tremendamente quando lá não havia missionários de fora? Seja o que for que tenha acontecido nesses vinte e cinco anos depois que os missionários partiram de lá, o que vemos não é o resultado de uma igreja derrotada, despreparada, como a Corrie ten Boom sempre afirmou.

Desta forma, é falsa a noção de que, se o pré-tribulacionismo estiver errado – e tenho certeza de que não está errado – os crentes não estarão adequadamente equipados para a perseguição que acontecerá na Tribulação. Tal visão não é verdadeira, uma vez que a habilidade para lidar com provações e tribulações está relacionada com a maturidade espiritual das pessoas, e não simplesmente por serem avisadas que terão que passar pela tribulação. Isto é demonstrado na história pelos muitos pré-tribulacionistas que têm sido capazes de permanecer fortes em meio à perseguição durante nossa atual Era da Igreja. Maranata!

Nota:
1. Trailer do vídeo “Left Behind or Led Astray?” [Deixados Para Trás ou Enganados?] que está por ser lançado. www.leftbehindorledastray.com – acessado em 25 de fevereiro de 2015. 

 

FONTE:

(Thomas Ice — Pre-Trib PerspectivesChamada.com.br


Extraído de Revista Chamada da Meia-Noite setembro de 2015